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Avaliação olfativa na doença de Parkinson

Atualizado: 10 de mar.

A disfunção olfativa destaca-se como uma das primeiras características não motoras da doença de Parkinson (DP). Esta disfunção está presente em aproximadamente 90% dos casos de DP em estágio inicial e pode preceder o surgimento de sintomas motores por anos. Os mecanismos responsáveis pela disfunção olfativa ainda são desconhecidos. Dado que a perda olfativa ocorre em menor extensão ou está ausente em distúrbios como atrofia de múltiplos sistemas, degeneração corticobasal e paralisia supranuclear progressiva, o teste olfativo pode ser útil no diagnóstico diferencial.


A disfunção olfativa na DP e em várias doenças relacionadas com a perda de olfato correlaciona-se com a diminuição do número de neurônios em estruturas como o locus coeruleus, os núcleos da rafe e o núcleo basal de Meynert. Esses achados neuroanatômicos, juntamente com evidências do envolvimento do sistema nervoso autônomo em numerosos sintomas relacionados à DP, sugerem que déficits nas funções colinérgicas, noradrenérgicas e serotoninérgicas podem contribuir para a perda olfativa.


Para a avaliação da disfunção olfativa, foram desenvolvidos e validados diversos instrumentos, entre eles o Teste de Identificação de Odores da Universidade da Pensilvânia (UPSIT), o Teste Clínico de Pesquisa Quimiossensorial de Connecticut (CCCRC), e o Sniffin' Sticks, cada um com metodologias específicas.


 


UPSIT (University of Pennsylvania Smell Identification Test): 

O UPSIT é um teste de identificação de odores que consiste em 40 itens de uso único. É conhecido por sua alta confiabilidade e precisão, sendo considerado o padrão ouro para testes olfativos. Oferece uma indicação absoluta da perda de olfato (anosmia; microsmia leve, moderada ou severa) assim como uma indicação relativa baseada em percentis relacionados à idade e sexo. Também proporciona um índice para detectar simulação. Está disponível em mais de 30 idiomas.




Doty, R. L., Shaman, P., & Dann, M. (1984). Development of the University of Pennsylvania Smell Identification Test: a standardized microencapsulated test of olfactory function. Physiology & behavior, 32(3), 489-502.


 


Teste do Centro de Pesquisa Clínica Quimiossensorial de Connecticut (CCCRC, Connecticut Chemosensory Clinical Research Center):

O Teste do Centro de Pesquisa Clínica Quimiossensorial de Connecticut (CCCRC) adaptado é uma avaliação bifásica da função olfativa, composta por um teste de limiar olfativo e um teste de identificação de substâncias.


Teste de Limiar Olfativo: Utiliza-se butanol diluído em sete concentrações distintas para determinar o menor nível de odor que um indivíduo é capaz de detectar. O teste começa com a solução mais diluída, aumentando a concentração até que o odor seja identificado, com um controle de água destilada inodora para garantir precisão.


Teste de Identificação de Substâncias: Consiste na apresentação de oito substâncias distintas (café, canela, talco, paçoca, chocolate, sabonete neutro e naftalina), as quais devem ser identificadas pelos participantes a partir de uma lista que inclui também distratores. Esta etapa avalia a capacidade de reconhecimento de odores.

A pontuação final combina os resultados de ambos os testes, oferecendo uma medida compreensiva da capacidade olfativa, que é então classificada em categorias que variam de normosmia a anosmia.





Fenólio, G. H., Anselmo-Lima, W. T., Tomazini, G. C., Compagnoni, I. M., do Amaral, M. S., Fantucci, M. Z., ... & Tamashiro, E. (2022). Validation of the Connecticut olfactory test (CCCRC) adapted to Brazil. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 88, 725-732.


Cain, W. S., Goodspeed, R. B., Gent, J. F., & Leonard, G. (1988). Evaluation of olfactory dysfunction in the Connecticut chemosensory clinical research center. The Laryngoscope, 98(1), 83-88.


 

Sniffin' Sticks

O teste Sniffin' Sticks, desenvolvido por Hummel em 1997 e validado em vários países europeus com dados normativos amplos, é um teste psicofísico que avalia de forma semi-objetiva o desempenho olfativo do paciente. Esse teste, realizado com canetas cujas pontas são impregnadas com fluidos odoríferos, compreende três subtestes: teste de limiar (T), teste de discriminação (D) e teste de identificação (I), culminando em uma pontuação global olfativa (TDI).


Teste de Limiar (T): Consiste na apresentação de 16 trios de canetas, cada trio contendo uma caneta com odor (butanol ou feniletanol) diluído em concentrações decrescentes e duas canetas com solvente. O participante, com os olhos vendados, deve identificar a caneta odorífera dentre as três. Este subteste inicia com a concentração mais alta, progredindo para as mais baixas até que o sujeito consiga identificar corretamente a caneta com odor em duas tentativas consecutivas, definindo assim o limiar olfativo.


Teste de Discriminação (D): Utiliza 16 trios de canetas, onde duas canetas têm o mesmo odor e a terceira possui um odor diferente. O objetivo é que o participante identifique a caneta de odor distinto, sem visualização, para testar a capacidade de discriminação olfativa.


Teste de Identificação (I): Neste teste, 16 canetas com odores distintos são apresentadas individualmente ao participante, que deve identificar cada odor a partir de quatro opções escritas, sem a necessidade de venda nos olhos.

A soma das pontuações desses três subtestes resulta no escore TDI global, que permite a classificação do desempenho olfativo em anosmia funcional, normosmia ou hiposmia, baseado em valores normais estabelecidos para cada gênero e faixa etária.

O Sniffin' Sticks requer observância estrita das instruções para garantir resultados confiáveis, incluindo a realização do teste em ambiente tranquilo e bem ventilado, sem exposição prévia a alimentos, bebidas (exceto água) ou fumo, e o manuseio cuidadoso das canetas para evitar contato com a pele do participante.







Hummel, T., Sekinger, B., Wolf, S. R., Pauli, E., & Kobal, G. (1997). ‘Sniffin’sticks': olfactory performance assessed by the combined testing of odor identification, odor discrimination and olfactory threshold. Chemical senses, 22(1), 39-52.


Silveira‐Moriyama, L., Carvalho, M. D. J., Katzenschlager, R., Petrie, A., Ranvaud, R., Barbosa, E. R., & Lees, A. J. (2008). The use of smell identification tests in the diagnosis of Parkinson's disease in Brazil. Movement disorders: official journal of the Movement Disorder Society, 23(16), 2328-2334.


Santin, R., Fonseca, V. F., Bleil, C. B., Rieder, C. R., & Hilbig, A. (2010). Olfactory function and Parkinson's disease in Southern Brazil. Arquivos de neuro-psiquiatria, 68, 252-257.



 

Multiscent-20 (NOAR)

O Multiscent-20 representa uma inovação no campo da avaliação olfativa, desenvolvido por uma startup da indústria de perfumaria (NOAR). Trata-se de um dispositivo tipo tablet de 7 polegadas com uma interface digital sensível ao toque, projetado para liberar aromas. Este aparelho utiliza um sistema de ar seco para processar e liberar estímulos odoríferos por meio de uma abertura na parte frontal, sendo capaz de armazenar até 20 cápsulas de estímulos odoríferos. As cápsulas são inseridas através de uma porta na parte traseira do dispositivo, o que permite uma experiência olfativa variada e controlada.


Em um estudo realizado para avaliar a viabilidade do Multiscent-20 como ferramenta de teste olfativo, 180 voluntários foram submetidos a testes de cheiro utilizando tanto o Multiscent-20 quanto o UPSIT. Os resultados demonstraram que o Multiscent-20 é uma alternativa confiável, rápida e eficiente para a avaliação olfativa, apresentando alta correlação e concordância com o UPSIT, além de oferecer vantagens como menor variabilidade nos resultados, menor tempo de execução do teste e ser uma solução custo-efetiva. O dispositivo destaca-se pela sua portabilidade e facilidade de uso.




Nakanishi, M., Fornazieri, M. A., Lança Gomes, P., Dias, L. A. D. M., Freire, G. S. M., Vinha, L. G. D. A., ... & Lima, W. T. A. (2022, October). The digital scent device as a new concept for olfactory assessment. In International forum of allergy & rhinology (Vol. 12, No. 10, pp. 1263-1272).


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