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Doença neuronal da alfa-sinucleína?

Uma polêmica foi trazida à tona com a publicação com o título traduzido de "Uma definição biológica da doença neuronal da α-sinucleína: em direção a um sistema de estadiamento integrado para pesquisa", financiada pela Michael J. Fox Foundation.


Esse artigo propõe uma estrutura complexa para redefinir a doença de Parkinson (DP) e a demência com corpos de Lewy (DCL) com base na biologia subjacente, em vez de somente considerar as manifestações clínicas. Os autores propõem o termo "doença neuronal α-sinucleína" (DNS) para abranger tanto a DP quanto a DCL, definida pela presença de α-sinucleína patológica no sistema nervoso central, identificável por meio de biomarcadores como o ensaio de amplificação de sementes (SAA).


Este ensaio (SAA) possibilita a detecção de formas dobradas incorretamente e agregadas de α-sinucleína no líquido cefalorraquidiano, oferecendo o potencial de um diagnóstico mais preciso durante a vida.


O artigo introduz o sistema integrado de estadiamento da doença neuronal α-sinucleína (DNS-IE), que categoriza a progressão da doença em vários estágios com base na presença de α-sinucleína patológica (S+), disfunção dos neurônios dopaminérgicos (D+) e na gravidade dos sintomas clínicos e do comprometimento funcional. Este estadiamento começa com estágios assintomáticos, onde apenas marcadores genéticos ou biomarcadores estão presentes (estágios 0-1), avança por estágios com sintomas sutis mas sem comprometimento funcional (estágio 2) e culmina em estágios caracterizados por um aumento do comprometimento funcional (estágios 3-6).


O DNS-IE é destinado principalmente a fins de pesquisa para facilitar o desenvolvimento de terapias direcionadas à patologia subjacernte, permitindo a classificação de pacientes com base em marcadores biológicos em vez de sintomas clínicos apenas. Essa mudança para uma definição biológica tem o objetivo de acelerar a pesquisa e os ensaios clínicos, identificando pacientes em estágios mais precoces da doença, onde as intervenções poderiam ser mais eficazes na prevenção ou desaceleração da progressão da doença.


Esta proposta científica enfatiza a importância de integrar a pesquisa de biomarcadores na prática clínica para redefinir doenças neurodegenerativas, como a DP e a DCL. Ao se concentrar nos processos biológicos subjacentes, o sistema de estadiamento proposto busca melhorar os resultados dos pacientes por meio de diagnósticos mais precoces e precisos, melhor estratificação dos pacientes para ensaios clínicos e o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes direcionados aos mecanismos biológicos específicos da doença.


A transição para uma definição biológica da doença neuronal α-sinucleína representará certamente uma mudança de paradigma significativa no entendimento e manejo da DP e DCL. Mostra que os biomarcadores assumirão provavelmente um papel crítico dos na detecção precoce e no estadiamento dessas doenças, abrindo caminho para estratégias terapêuticas mais personalizadas.


Referência:

Simuni T, Chahine LM, Poston K, et al. A biological definition of neuronal α-synuclein disease: towards an integrated staging system for research. Lancet Neurol. 2024;23(2):178-190. doi:10.1016/S1474-4422(23)00405-2

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