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Tendência atuais em publicações acadêmicas

Atualizado: 4 de mai.

O número de artigos científicos publicados aumentou dramaticamente nos últimos anos, superando até mesmo o crescimento do número de cientistas. Isso indica uma mudança para maior produtividade por cientista, o que pode não refletir, porém, necessariamente um aumento na qualidade do que é escrito. O aumento nas publicações é parcialmente impulsionado pela pressão acadêmica para publicar, o que sustenta os modelos de negócios das editoras com fins lucrativos e intensifica a competição entre os pesquisadores.

Uma tendência significativa nas publicações acadêmicas é a crescente concentração do poder de mercado nas mãos de algumas poucas editoras com fins lucrativos, como Elsevier e Springer Nature. Mais de 50% de todas as publicações científicas são controladas por essas instituições, levando a margens de lucro altas, semelhantes às observadas em indústrias como a farmacêutica. Essa concentração reduz a diversidade na paisagem editorial e pode potencialmente sufocar a inovação.





Houve uma mudança notável para o Acesso Aberto Ouro (Gold Open Acess), onde os autores pagam para publicar seu trabalho. Esse modelo está gradativamente superando os modelos tradicionais de assinatura de revistas, refletindo uma mudança fundamental na estrutura de financiamento das publicações acadêmicas. Embora isso possa aumentar a acessibilidade, também transfere os encargos financeiros para os autores, o que pode ser problemático, especialmente para os autores que não tem suporte institucional ou de bolsas.

Muitos periódicos de sociedades científicas se afastaram da autopublicação e terceirizaram seus processos de publicação para empresas maiores, principalmente por razões econômicas. Essa tendência para a terceirização pode ajudar as sociedades a gerenciar custos e alavancar a expertise técnica de grandes editoras, mas também vincula as sociedades científicas aos objetivos comerciais dessas empresas.

Grandes editoras estão cada vez mais estendendo suas marcas criando uma infinidade de novos periódicos sob marcas reconhecidas como Nature. Essa estratégia retém os autores dentro do ecossistema da editora, simplificando o processo de transferência entre diferentes periódicos, mas também aumento o domínio de mercado. O risco decorrente é o de minar a diversidade de opções editoriais disponíveis para os pesquisadores.

O surgimento de acordos do tipo "leia e publique" representa uma mudança significativa. Nesse modelo, as instituições pagam às editoras uma quantia global que cobre tanto o acesso para ler artigos quanto os custos de publicar artigos de acesso aberto. Esse é um modelo promete racionalizar custos e expandir o acesso, mas também levanta preocupações sobre transparência e equidade, particularmente em relação a como esses negócios são negociados e quem, em última instância, se beneficia.

Os próprios acadêmicos são parcialmente culpados pelo estado atual das publicações acadêmicas. A contínua pressão por publicações de alto impacto impulsiona o poder de mercado dos principais periódicos e editoras. Esse ambiente promove uma cultura onde a quantidade muitas vezes ofusca a qualidade da pesquisa, contribuindo para práticas de publicação insustentáveis.

A transição para o acesso aberto não foi sem problemas. O ideal de OA gratuito para publicar (Diamond OA) provou ser uma ilusão em muitos casos, com custos substanciais associados à publicação que precisam ser cobertos. Além disso, a pressão de alguns financiadores para a publicação em OA impôs tensões adicionais aos pesquisadores, especialmente aqueles em regiões menos abastadas.

O modelo de "pagar para publicar" pode criar incentivos perversos, como priorizar a quantidade em detrimento da qualidade e reduzir o rigor do processo de revisão por pares. Essa tendência é particularmente evidente no rápido crescimento de novos editores de OA que podem priorizar a receita em detrimento da qualidade acadêmica.

Fica claro que a comunidade acadêmica precisa reavaliar seu relacionamento com as publicações científicas e considerar o apoio a iniciativas que visem reformar as práticas atuais. Há um chamado para uma mudança para a "slow science", priorizando a qualidade e a sustentabilidade em vez do mero número de papers. Isso muito provavelmente exigirá uma mudança coletiva na cultura acadêmica e políticas que valorizem a integridade e a diversidade na comunicação científica sobre métricas e lucro das grandes editoras.




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