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Inventário de depressão de Beck

Atualizado: há 5 dias

O Inventário de Depressão de Beck (Beck Depression Inventory, BDI), originalmente descrito por Beck e colaboradores em 1961, é uma medida de autorrelato com 21 itens, em que cada item é pontuado de 0 a 3, gerando um escore total de 0 a 63, interpretado como um índice de intensidade de sintomas depressivos em adultos. Na prática clínica e em estudos populacionais, o BDI é empregado sobretudo para triagem, estratificação de gravidade e monitoramento de resposta ao tratamento, sem substituir a entrevista clínica estruturada para diagnóstico. Os pontos de corte variam conforme a versão e o contexto; em inquéritos comunitários, há evidência de desempenho excelente para rastreio quando se utiliza o cutoff ≥13 (ponto 12/13) como critério para “casos prováveis” na etapa de triagem. Em muitos cenários assistenciais (especialmente com o BDI “clássico”), ainda se usam faixas categóricas como 0–9 (mínimo/ausente), 10–18 (leve a moderada), 19–29 (moderada a grave) e 30–63 (grave), sempre com a ressalva de que tais categorias dependem de calibração local, comorbidades clínicas e finalidade do uso.

Do ponto de vista clinimétrico, revisões de validade e estudos empíricos sustentam alta consistência interna (frequentemente alfa >0,85), boa validade de conteúdo e sensibilidade a mudança, o que favorece seu uso longitudinal. Estudos de validade concorrente demonstram correlações relevantes com outras medidas de depressão, e análises fatoriais reiteram uma organização dimensional com componentes cognitivo–afetivos e somático–vegetativos/fisiológicos, potencialmente útil para caracterizar perfis sintomatológicos e subfenótipos. Ao mesmo tempo, limitações importantes incluem discriminação imperfeita entre depressão e ansiedade, instabilidade do escore em intervalos muito curtos, controvérsias fatoriais em algumas amostras e ausência de normas plenamente representativas para interpretação universal—pontos que reforçam a necessidade de integrar o BDI a uma avaliação clínica abrangente. Na literatura brasileira, estudos psicométricos em populações específicas (p.ex., mulheres com câncer) ilustram como estrutura fatorial e desempenho podem variar por contexto clínico e sociodemográfico.


Referências

  1. Beck AT, Ward CH, Mendelson M, Mock J, Erbaugh J. An inventory for measuring depression. Arch Gen Psychiatry. 1961;4:561-571. doi:10.1001/archpsyc.1961.01710120031004.

  2. Lasa L, Ayuso-Mateos JL, Vázquez-Barquero JL, Díez-Manrique FJ, Dowrick CF. The use of the Beck Depression Inventory to screen for depression in the general population: a preliminary analysis. J Affect Disord. 2000;57(1-3):261-265. doi:10.1016/S0165-0327(99)00088-9.

  3. Richter P, Werner J, Heerlein A, Kraus A, Sauer H. On the validity of the Beck Depression Inventory. A review. Psychopathology. 1998;31(3):160-168. doi:10.1159/000066239.

  4. Robinson BE, Kelley L. Concurrent validity of the Beck Depression Inventory as a measure of depression. Psychol Rep. 1996;79(3 Pt 1):929-930. doi:10.2466/pr0.1996.79.3.929.

  5. Schotte CK, Maes M, Cluydts R, De Doncker D, Cosyns P. Construct validity of the Beck Depression Inventory in a depressive population. J Affect Disord. 1997;46(2):115-125. doi:10.1016/S0165-0327(97)00094-3.

  6. Endler NS, Rutherford A, Denisoff E. Beck depression inventory: exploring its dimensionality in a nonclinical population. J Clin Psychol. 1999;55(10):1307-1312. doi:10.1002/(SICI)1097-4679(199910)55:10<1307::AID-JCLP11>3.0.CO;2-7.

  7. Piotrowski C. Use of the Beck Depression Inventory in clinical practice. Psychol Rep. 1996;79(3 Pt 1):873-874. doi:10.2466/pr0.1996.79.3.873.

  8. Gandini RC, Martins MCF, Ribeiro MP, Santos DTG. Inventário de Depressão de Beck – BDI: validação fatorial para mulheres com câncer. PsicoUSF. 2007;12(1):23-31.



INVENTÁRIO DE DEPRESSÃO DE BECK


INSTRUÇÕES DE APLICAÇÃO

Este questionário consiste em 21 grupos de afirmações. Depois de ler cuidadosamente cada grupo, faça um círculo em torno do número (0, 1, 2 ou 3) próximo à afirmação, em cada grupo, que descreve melhor a maneira que você tem se sentido na última semana, incluindo hoje. Se várias afirmações num grupo parecerem se aplicar igualmente bem, faça um círculo em cada uma. Tome cuidado de ler todas as afirmações, em cada grupo, antes de fazer sua escolha.



NOTA:

Os valores básicos são: 0-9 indicam que o indivíduo não está deprimido,

10-18 indicam depressão leve a moderada,

19-29 indicam depressão moderada a severa e

30-63 indicam depressão severa.

Valores maiores indicam maior severidade dos sintomas depressivos.



Sobre o autor

Aaron Temkin Beck foi um renomado psiquiatra americano, frequentemente referido como o pai da terapia cognitiva (TC). Ele desempenhou um papel crucial no desenvolvimento da terapia cognitivo-comportamental (TCC), uma abordagem terapêutica focada na correção de pensamentos negativos e distorcidos. Beck é também o criador da Escala de Depressão de Beck (BDI), uma ferramenta de autoavaliação amplamente usada para medir a severidade da depressão. Sua influente pesquisa e metodologias transformaram o campo da psicologia clínica, estabelecendo a eficácia da TCC no tratamento de diversos transtornos psicológicos.

 
 
 

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