Escala de Avaliação de Ataxia de Friedreich Modificada (mFARS)
- Grupo de Estudos em Transtornos do Movimento

- 7 de jan. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 28 de dez. de 2025
A mFARS é um instrumento usado para medir a função neurológica, especificamente desenvolvido para Ataxia de Friedreich (FA). Ela avalia sinais e sintomas neurológicos que refletem os substratos neurais afetados pela doença.
A escala é dividida em 4 domínios principais:
FARS A (Bulbar) - 5 pontos
A3: tosse (2 pontos)
A4: fala (3 pontos)
FARS B (Membros Superiores) - 36 pontos
B1: dedo-dedo (6 pontos)
B2: nariz-dedo (8 pontos)
B3: dismetria (8 pontos)
B4: movimentos rápidos (6 pontos)
B5: batidas dos dedos (8 pontos)
FARS C (Membros Inferiores) - 16 pontos
C1: deslizamento calcanhar-canela (8 pontos)
C2: batida calcanhar-canela (8 pontos)
FARS E (Estabilidade em Pé) - 36 pontos
E1: posição sentada (4 pontos)
E2A/B: postura com pés separados (com/sem olhos fechados) (4 pontos cada)
E3A/B: postura com pés juntos (com/sem olhos fechados) (4 pontos cada)
E4: postura em tandem (4 pontos)
E5: postura com pé dominante (4 pontos)
E6: caminhada em tandem (3 pontos)
E7: marcha (5 pontos)

A modified Friedreich Ataxia Rating Scale (mFARS) é a versão “enxugada” do exame neurológico do Friedreich Ataxia Rating Scale (FARS), desenvolvida para quantificar, de modo padronizado e sensível a progressão, a disfunção neurológica na ataxia de Friedreich. O instrumento mantém a lógica clinimétrica do FARS (maior escore = maior gravidade), mas reduz o componente bulbar para 2 itens (no FARS original eram 4) e exclui o subdomínio de sistema nervoso periférico (subescala D), com o objetivo de melhorar propriedades psicométricas e tornar a aplicação mais eficiente. O escore total do mFARS varia de 0 a 93, enquanto o FARS completo vai a 125, e a soma é composta por quatro subescalas: A (bulbar; 0–5), B (coordenação de membros superiores; 0–36), C (coordenação de membros inferiores; 0–16) e E (estabilidade em sedestação/ortostatismo e marcha; 0–36).
Em termos operacionais, o mFARS reúne 18 componentes pontuados distribuídos nesses quatro domínios. No domínio bulbar, avalia-se tosse e fala/disartria. Na coordenação de membros superiores, são aplicadas tarefas como finger-to-finger, nose-finger, teste de dismetria, movimentos alternados rápidos e finger tapping, com pontuação bilateral quando aplicável, o que explica o peso do domínio no escore total. Na coordenação de membros inferiores, o desempenho é aferido por tarefas como heel-along-shin slide e heel-to-shin tap (também tipicamente bilaterais). Por fim, a estabilidade/marcha (subescala E) é estruturada como itens E1–E7, mas inclui subitens de postura/apoio com olhos abertos e fechados (p.ex., E2A/E2B e E3A/E3B), além de tarefas como tandem stance, apoio unipodal no pé dominante, tandem walk e gait, compondo o bloco com maior contribuição para detectar declínio funcional ambulatorial.
A evidência de validação clinimétrica do mFARS apoia seu uso como desfecho em estudos observacionais e ensaios clínicos. A base histórica de confiabilidade do exame neurológico do FARS foi estabelecida por estudo de concordância interavaliadores (interrater reliability). Para o mFARS especificamente, a confiabilidade teste–reteste foi documentada em análise com dados de triagem e baseline de ensaios, mostrando excelente estabilidade para o escore total e particularmente para o subescore de upright stability (com ICCs elevados), além de estimativas de erro de medida e mudança mínima detectável—elementos essenciais para interpretação longitudinal e desenho de trials.
Quanto à responsividade (capacidade de capturar progressão), sua aceitação como endpoint é sustentada pelo comportamento longitudinal em coortes de história natural e por análises comparativas em estudos terapêuticos; por exemplo, em uma comparação pareada por escore de propensão, controles de história natural (FACOMS) acumularam ≈6,6 pontos em 3 anos, enquanto o grupo tratado acumulou ≈3,0 pontos, ilustrando sensibilidade do mFARS para diferenciar trajetórias ao longo do tempo.
Referências
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Biogen. mFARS (modified Friedreich Ataxia Rating Scale) overview (SKYCLARYS HCP). 2025.
Além do exame neurológico, existem outros instrumentos complementares:
Estadiamento Funcional da Doença (FA-FDS): 0 a 6 pontos
Escala de Atividades da Vida Diária (FA-ADL): 0 a 36 pontos
Teste de caminhada cronometrada de 25 pés (T25FW)
Teste do tabuleiro de 9 buracos (9HPT)
Referências:
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