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Escala de Avaliação de Ataxia de Friedreich Modificada (mFARS)

Atualizado: 28 de dez. de 2025


A mFARS é um instrumento usado para medir a função neurológica, especificamente desenvolvido para Ataxia de Friedreich (FA). Ela avalia sinais e sintomas neurológicos que refletem os substratos neurais afetados pela doença.


A escala é dividida em 4 domínios principais:

  1. FARS A (Bulbar) - 5 pontos

    • A3: tosse (2 pontos)

    • A4: fala (3 pontos)

  2. FARS B (Membros Superiores) - 36 pontos

    • B1: dedo-dedo (6 pontos)

    • B2: nariz-dedo (8 pontos)

    • B3: dismetria (8 pontos)

    • B4: movimentos rápidos (6 pontos)

    • B5: batidas dos dedos (8 pontos)

  3. FARS C (Membros Inferiores) - 16 pontos

    • C1: deslizamento calcanhar-canela (8 pontos)

    • C2: batida calcanhar-canela (8 pontos)

  4. FARS E (Estabilidade em Pé) - 36 pontos

  5. E1: posição sentada (4 pontos)

  6. E2A/B: postura com pés separados (com/sem olhos fechados) (4 pontos cada)

  7. E3A/B: postura com pés juntos (com/sem olhos fechados) (4 pontos cada)

  8. E4: postura em tandem (4 pontos)

  9. E5: postura com pé dominante (4 pontos)

  10. E6: caminhada em tandem (3 pontos)

  11. E7: marcha (5 pontos)






A modified Friedreich Ataxia Rating Scale (mFARS) é a versão “enxugada” do exame neurológico do Friedreich Ataxia Rating Scale (FARS), desenvolvida para quantificar, de modo padronizado e sensível a progressão, a disfunção neurológica na ataxia de Friedreich. O instrumento mantém a lógica clinimétrica do FARS (maior escore = maior gravidade), mas reduz o componente bulbar para 2 itens (no FARS original eram 4) e exclui o subdomínio de sistema nervoso periférico (subescala D), com o objetivo de melhorar propriedades psicométricas e tornar a aplicação mais eficiente. O escore total do mFARS varia de 0 a 93, enquanto o FARS completo vai a 125, e a soma é composta por quatro subescalas: A (bulbar; 0–5), B (coordenação de membros superiores; 0–36), C (coordenação de membros inferiores; 0–16) e E (estabilidade em sedestação/ortostatismo e marcha; 0–36).


Em termos operacionais, o mFARS reúne 18 componentes pontuados distribuídos nesses quatro domínios. No domínio bulbar, avalia-se tosse e fala/disartria. Na coordenação de membros superiores, são aplicadas tarefas como finger-to-finger, nose-finger, teste de dismetria, movimentos alternados rápidos e finger tapping, com pontuação bilateral quando aplicável, o que explica o peso do domínio no escore total. Na coordenação de membros inferiores, o desempenho é aferido por tarefas como heel-along-shin slide e heel-to-shin tap (também tipicamente bilaterais).  Por fim, a estabilidade/marcha (subescala E) é estruturada como itens E1–E7, mas inclui subitens de postura/apoio com olhos abertos e fechados (p.ex., E2A/E2B e E3A/E3B), além de tarefas como tandem stance, apoio unipodal no pé dominante, tandem walk e gait, compondo o bloco com maior contribuição para detectar declínio funcional ambulatorial.

A evidência de validação clinimétrica do mFARS apoia seu uso como desfecho em estudos observacionais e ensaios clínicos. A base histórica de confiabilidade do exame neurológico do FARS foi estabelecida por estudo de concordância interavaliadores (interrater reliability). Para o mFARS especificamente, a confiabilidade teste–reteste foi documentada em análise com dados de triagem e baseline de ensaios, mostrando excelente estabilidade para o escore total e particularmente para o subescore de upright stability (com ICCs elevados), além de estimativas de erro de medida e mudança mínima detectável—elementos essenciais para interpretação longitudinal e desenho de trials.

Quanto à responsividade (capacidade de capturar progressão), sua aceitação como endpoint é sustentada pelo comportamento longitudinal em coortes de história natural e por análises comparativas em estudos terapêuticos; por exemplo, em uma comparação pareada por escore de propensão, controles de história natural (FACOMS) acumularam ≈6,6 pontos em 3 anos, enquanto o grupo tratado acumulou ≈3,0 pontos, ilustrando sensibilidade do mFARS para diferenciar trajetórias ao longo do tempo.


Referências

  1. Friedreich’s Ataxia Research Alliance. Friedreich’s Ataxia Rating Scale (FARS) and Modified FARS (mFARS): Instructions/SOP (version March 2023). 2023.

  2. Subramony SH, May W, Lynch D, et al; Cooperative Ataxia Group. Measuring Friedreich ataxia: interrater reliability of a neurologic rating scale. Neurology. 2005;64(7):1261-1262. doi:10.1212/01.WNL.0000156802.15466.79

  3. Rummey C, Zesiewicz TA, Perez-Lloret S, et al. Test–retest reliability of the Friedreich’s ataxia rating scale. Ann Clin Transl Neurol. 2020;7(9):1708-1712. doi:10.1002/acn3.51118

  4. Lynch DR, Goldsberry A, Rummey C, et al. Propensity matched comparison of omaveloxolone treatment to Friedreich ataxia natural history data. Ann Clin Transl Neurol. 2023;11(1):4-16. doi:10.1002/acn3.51897

  5. Biogen. mFARS (modified Friedreich Ataxia Rating Scale) overview (SKYCLARYS HCP). 2025.


Além do exame neurológico, existem outros instrumentos complementares:

  1. Estadiamento Funcional da Doença (FA-FDS): 0 a 6 pontos

  2. Escala de Atividades da Vida Diária (FA-ADL): 0 a 36 pontos

  3. Teste de caminhada cronometrada de 25 pés (T25FW)

  4. Teste do tabuleiro de 9 buracos (9HPT)



    Referências:

    • Lynch DR, Chin MP, Delatycki MB, et al. Safety and efficacy of omaveloxolone in Friedreich ataxia (MOXIe study). Ann Neurol. 2021;89(2):212-225. doi:10.1002/ana.25977.

    • Meier T, Perlman SL, Rummey C, et al. Assessment of neurological efficacy of idebenone in pediatric patients with Friedreich’s ataxia. J Neurol. 2012;259:284-291. doi:10.1007/s00415-011-6187-1.

    • Zesiewicz T, Salemi JL, Perlman S, et al. Double-blind, randomized and controlled trial of EPI-743 in Friedreich’s ataxia. Neurodegener Dis Manag. 2018;8(4):233-242. doi:10.2217/nmt-2018-0013.

    • Wang H, Norton J, Xu L, et al. Results of a randomized double-blind study evaluating luvadaxistat in adults with Friedreich ataxia. Ann Clin Transl Neurol. 2021;8(8):1343-1352. doi:10.1002/acn3.51320.

    • Zesiewicz TA, Heerinckx F, De Jager R, et al. Randomized, clinical trial of RT001: early signals of efficacy in Friedreich’s ataxia. Mov Disord. 2018;33(6):1000-1005. doi:10.1002/mds.27370.

    • Lynch DR, Hauser L, McCormick A, et al. Randomized, double-blind, placebo-controlled study of interferon-γ 1b in Friedreich ataxia. Ann Clin Transl Neurol. 2019;6(3):546-553. doi:10.1002/acn3.720.

    • Bürk K, Schulz SR, Schulz JB. Monitoring progression in Friedreich ataxia (FRDA): the use of clinical scales. J Neurochem. 2013;126 Suppl 1:118-124. doi:10.1111/jnc.12318

    • Fahey MC, Corben L, Collins V, Churchyard AJ, Delatycki MB. How is disease progress in Friedreich's ataxia best measured? A study of four rating scales. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2007;78(4):411-413. doi:10.1136/jnnp.2006.096008

    • Jain P, Badgujar L, Spoorendonk J, Buesch K. Clinical evidence of interventions assessed in Friedreich ataxia: a systematic review. Ther Adv Rare Dis. 2022;3:26330040221139872. Published 2022 Nov 29. doi:10.1177/26330040221139872


 
 
 

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